“Bom para o coração” é uma frase que aparece em rótulo de tanta coisa que perde o peso rápido. Com a coenzima Q10 existe um diferencial real: um dos estudos clínicos mais citados sobre o suplemento foi feito especificamente com pacientes de insuficiência cardíaca, e vale entender o que ele encontrou antes de levar a promessa pelo nome.

O estudo Q-SYMBIO, um ensaio clínico randomizado e duplo-cego, acompanhou pacientes com insuficiência cardíaca crônica por 2 anos e encontrou menos eventos cardiovasculares graves e menor mortalidade em quem tomou CoQ10 além do tratamento padrão, comparado ao grupo placebo.

O que foi o estudo Q-SYMBIO

Q-SYMBIO foi um estudo internacional multicêntrico, feito com quase 420 pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca crônica moderada a grave. Metade recebeu 100mg de CoQ10 três vezes ao dia, além do tratamento padrão pra insuficiência cardíaca, e a outra metade recebeu placebo, também junto do tratamento padrão, sem ninguém saber qual grupo estava recebendo o quê.

Depois de 2 anos de acompanhamento, o grupo que tomou CoQ10 teve significativamente menos eventos cardiovasculares graves e menor taxa de mortalidade por causas cardíacas, comparado ao grupo placebo (Mortensen et al., 2014).

Por que a CoQ10 teria esse papel no coração

O coração é um dos órgãos com maior demanda de energia do corpo, já que trabalha continuamente. A coenzima Q10 participa diretamente da produção de energia dentro das mitocôndrias, as estruturas responsáveis por gerar a energia que as células usam pra funcionar. A hipótese é que, em pessoas com insuficiência cardíaca, níveis mais baixos de CoQ10 no músculo cardíaco comprometem essa produção de energia, e repor a coenzima ajudaria o coração a funcionar de forma mais eficiente.

Isso significa que qualquer pessoa deveria tomar CoQ10 pro coração?

Não necessariamente. O estudo Q-SYMBIO foi feito especificamente com pacientes que já tinham diagnóstico de insuficiência cardíaca, usando o suplemento como complemento do tratamento médico padrão, não como substituto. Pra alguém sem diagnóstico cardíaco, a evidência de benefício direto e mensurável é mais limitada, embora a coenzima ainda seja considerada segura pra uso geral dentro das doses recomendadas.

CoQ10 substitui o tratamento médico de insuficiência cardíaca?

Não. Em nenhum momento o estudo testou CoQ10 como alternativa aos medicamentos padrão pra insuficiência cardíaca, e sim como um complemento usado junto do tratamento já estabelecido pelo cardiologista. Interromper ou substituir medicação cardíaca por um suplemento, sem orientação médica, não tem respaldo nesse ou em nenhum outro estudo sério sobre o tema.

E pra quem só quer “cuidar da saúde do coração” de forma preventiva

A evidência mais forte de CoQ10 no contexto cardiovascular vem de pacientes que já têm alguma condição diagnosticada, não de uso preventivo em pessoas saudáveis sem histórico cardíaco. Isso não quer dizer que não haja benefício nenhum, só que a força da evidência científica é maior no primeiro grupo do que no segundo.

Quem tem fatores de risco cardiovascular, histórico familiar ou já usa outros medicamentos relacionados ao coração, como estatina, deve conversar com o médico sobre se a suplementação faz sentido no caso específico, em vez de decidir só com base num estudo lido pela internet.

Perguntas frequentes

O estudo Q-SYMBIO usou ubiquinona ou ubiquinol?

O estudo usou a forma ubiquinona, a mais comum e mais estudada historicamente. Isso não significa que ubiquinol não funcione, só que a evidência específica desse estudo em particular foi construída com a forma ubiquinona.

Quanto tempo o estudo acompanhou os pacientes?

O acompanhamento foi de 2 anos, um período relativamente longo pra um estudo clínico, o que reforça a solidez dos resultados encontrados em relação à mortalidade e eventos cardiovasculares graves.

CoQ10 pode substituir remédio pra pressão alta?

Não. Assim como no caso da insuficiência cardíaca, CoQ10 não deve ser usado como substituto de medicação prescrita pra pressão alta. Qualquer ajuste de tratamento deve ser decidido junto com o médico responsável.

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  • MORTENSEN, S. A. et al. The Effect of Coenzyme Q10 on Morbidity and Mortality in Chronic Heart Failure: Results From Q-SYMBIO: A Randomized Double-Blind Trial. JACC: Heart Failure, 2(6), 641-649, 2014. Ver estudo
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Redatora formada em gestão de negócios, atuo como gerente de e-commerce há 9 anos. Sou especialista em reviews de produtos e serviços.

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